Pular para o conteúdo principal

Preços dos imóveis disparam nas capitais

Especialistas apontam cidades em que preços estão mais caros.
Ganhos tornam mercado imobiliário um investimento atraente.

Ligia Guimarães Do G1, em São Paulo

A aeroviária Lisa Lima, 34 anos, comprou há dois anos um apartamento na planta no bairro dos Jardins, em São Paulo. Vendeu o imóvel este mês, quando recebeu as chaves, e comemora o bom negócio: ganhou na venda R$ 150 mil a mais sobre o valor da compra, valorização de 73%.

“Eu tinha comprado porque eu morava em frente com o meu filho e queria que a minha mãe morasse nele. Daí quando eu vi que tinha valorizado bastante, resolvi revender. E acabou que com o dinheiro dessa revenda eu já comprei outro, na Barra Funda. Nenhuma outra aplicação me daria um retorno tão bom”, comemora ela, que já pensa em juntar amigos para voltar a investir em imóveis.
Lisa LimaLisa Lima revendeu apartamento nos Jardins antes mesmo do fim nas obras no prédio.

No Rio de Janeiro, uma história similar: espanhol radicado no estado há 55 anos, José Moleón comprou em 2008 um apartamento na Rua Senador Dantas, centro da capital fluminense. Reformou o imóvel, morou nele por alguns meses e, há dois, vendeu o mesmo com sobrevalorização de 100%. “O mercado nunca esteve tão interessante como agora”, diz Moleón, com a experiência de quem vive de comprar e vender imóveis há mais de 40 anos.

Relatos semelhantes ao de Lisa e José estão cada vez mais frequentes: a expansão do crédito, o aumento da demanda e subsídios como o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal, estimulam a valorização de imóveis em todo o país. Segundo especialistas e entidades ligadas ao setor de imóveis consultados pelo G1, a aceleração dos valores e os preços mais altos se destacam em algumas regiões: além de São Paulo e Rio, Porto Alegre, Brasília, Recife, Fortaleza e Curitiba estão entre as mais fortes.



“Sempre houve épocas em que o mercado (imobiliário) de uma região estava mais valorizado que outros por algum motivo. O fenômeno dessa vez é que é justamente algo generalizado”, diz a consultora de mercado imobiliário da Fundação Getúlio Vargas, Ana Maria Castelo, que vê o início de um movimento da volta do pequeno investidor ao mercado de imóveis.

Juro, crédito e pressão dos acionistas
A expansão do crédito no Brasil tornou o sonho da casa própria mais acessível para muito mais pessoas, aumentou a procura por imóveis e abriu o apetite das construtoras para novos lançamentos. Segundo números do Banco Central, o volume de crédito concedido nos dois primeiros meses de 2010 somou mais de R$ 181 bilhões, 47% a mais que no mesmo período do ano passado.

“Ocorreu uma série de novas situações favoráveis ao comprador, como a fartura de crédito imobiliário, novas linhas de financiamento de até 30 anos e prestações mais reduzidas, que começam a caber no orçamento de uma quantidade maior de famílias”, diz Luiz Paulo Pompéia, da Embraesp.

Além disso, muitas construtoras estrearam recentemente no mercado de ações, como a Gafisa, a Rossi e a MRV. Com o caixa mais cheio de dinheiro obtido nas ofertas de ações, elas passam a lidar também com a cobrança dos acionistas e do mercado por bons resultados, o que estimula a ousadia para buscar novos mercados e projetos.

“A abertura do capital de um grupo grande de empresas fez com que elas se deslocassem desse eixo sudeste e buscassem outros mercados como o nordeste e o norte. Elas estão com dinheiro e pressionadas para mostrar resultado”, diz a consultora Ana Maria Castelo, da FGV".

Influências regionais
Além dos fatores que favorecem o aquecimento do mercado imobiliário nacional, muitas regiões sobrevalorizadas têm peculiaridades, como o Rio.

No Rio de Janeiro, o valor para venda de um imóvel de dois quartos em Copacabana subiu 220,45% entre 2000 e 2009, segundo dados do Centro de Pesquisa e Análise da Informação do Sindicato da Habitação do Rio. No mesmo período, o preço do mesmo perfil de imóvel para locação subiu 137,04%.

Em janeiro de 2010, comprar um apartamento de um quarto no mesmo bairro estava 48% mais caro do que no mesmo mês do ano passado.

“No Rio, hoje já se vive uma expectativa bastante favorável em relação à Copa e às Olimpíadas. Toda a infraestrutura que o governo vai fazer para esses eventos de alguma forma já valoriza os empreendimentos existentes na região e os novos”, diz o vice-presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) Fernando Schneider.

Entre os futuros empreendimentos que impulsionam a valorização de imóveis, ele destaca o anel rodoviário, metrô para a Barra da Tijuca, as melhorias na Linha 2 do metrô, a revitalização da Zona Portuária e os projetos de segurança, como Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) implementadas nas comunidades.

“Só de anunciar a construção de um projeto já valoriza (a região)”, diz Schneider.

Bairro caro
Em Brasília, a origem dos picos de valorização imobiliária – que chegam a 50% em cerca de um ano - também tem a influência de um empreendimento: o setor Noroeste, novo bairro que está sendo construído nos limites do Plano Piloto destinado às classes A e B e cuja venda de terrenos é gerenciada pela empresa pública Terracap.

“É um bairro diferenciado, um bairro novo, e o preço das projeções do lote já saiu elevado. Esses lotes são bastante cobiçados e disputados pelas empreendedoras e acaba virando uma espécie de leilão, quem dá mais leva. Então ele já sai com um preço elevado”, diz José Geraldo da Silva, do Sindicato dos Gestores e Técnicos Corretores de Imóveis do Distrito Federal.

“Na minha opinião, vai chegar um ponto em que o mercado é que vai dar uma disciplinada nessa confusão toda, mas não dá para saber quando isso vai ocorrer”, diz.

São Paulo
Na capital paulista, a escassez de terrenos também estimula um clima de “leilão” entre as grandes construtoras e incorporadoras, que disputam os melhores espaços e elevam fortemente o custo de novos lançamentos.

“O grande fator que produz esse acréscimo de valor de imóvel é de termos um zoneamento muito restritivo. Ao adquirir um terreno a sua capacidade de construção é relativamente pequena, o que encarece os empreendimentos”, diz Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Secovi-SP.

No Morumbi, segundo a Fernandez Mera Negócios Imobiliários, o preço do metro quadrado saltou de R$ 2.800 para R$ 3.700 em dois anos. "E é um bairro onde há bastante oferta", diz Sérgio Canton, da Fernandez Mera. Em cinco anos, o preço mais que dobrou no Morumbi e em Campo Belo. Há valorização também em bairros industriais que começam a ser usados para habitação, como a Vila Leopoldina e a Mooca.

“Eu acredito que, do ponto de vista de habitação, estamos chegando muito próximo ao limite de preço, que aumentou nos últimos anos”, explica Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). "Mas a tendência é de que o mercado se estabilize nesses valores ainda por um tempo maior", diz.
Fonte: G1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Imóvel na praia - conheça o que significa Laudêmio

O que é Laudêmio  É uma taxa a ser paga à União quando de uma transação com escritura definitiva de compra e venda, em terrenos de marinha. As taxas de ocupação ou foro são pagas anualmente, divididas em cotas. Os possuidores de imóveis localizados em áreas de marinha dividem-se em dois tipos: OCUPANTES (tem apenas o direito de ocupação e são a maioria) e os FOREIROS (os que têm contratos de foro e possuem mais direitos que o ocupante, pois têm também o domínio útil) - estão incluídos nessas categorias os moradores da Baixada Santista e demais cidades brasileiras. Conforme Decreto-Lei nº 9.760/1946, são terrenos de marinha em uma profundidade de 33 metros, medidos horizontalmente para a parte da terra, da posição da linha da preamar-média de 1.831:  a) Os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas, até onde se faça sentir a influência das marés;  b) Os que contornam as ilhas, situados em zonas onde se faça sentir a influência das marés. O que é Fo

Valor do m² segundo pesquisa do CRECI/ PB em João Pessoa

Ontem o CRECI - PB divulgou a Pesquisa de Demanda Imobiliária demonstrando dados do mercado imobiliário. Segundo esta pesquisa, o valor do m² praticado na capital (ref. abril/12) é o seguinte: Bairro Valor do m² (R$) Tambaú 5.810,85  Cabo Branco 5.620,19 Manaíra   4.927,35 Miramar   4293,45 Altiplano  4.242,64 Bairro dos Estados 4.153,41 Jardim Luna   4.138,61 Jardim Oceania 3.092,50 Bessa   3.819,01 Tambauzinho   3.694,39 Aeroclube 3.554,39 Jardim 13 de Maio 3.429,11 Jardim São Paulo 3.260,29 Expedicionários 3.248,84 Torre 3.142,06 Castelo Branco 3.021,93 Bancários 2.815,73 Jardim Cidade Universitária 2.329,59 Portal do Sol 2.314,94 Água Fria 2.237,04 Ernesto Geisel 2.213,22 Rangel 2.1

Guia de Financiamento Imobiliário

Confira um passo a passo, para realização do financiamento imobiliário. Veja abaixo todos as formas de financiamento para que você realize o sonho da casa própria. Carta de Crédito FGTS Com essa linha de crédito da CAIXA,você usa os recursos do seu FGTS para financiar até 100% da sua casa nova e tem até 30 anos para pagar. Tudo isso com juros bem pequenos, que cabem no seu bolso. Agora é sua vez de comprar a casa que sempre quis, seja ela nova ou usada, em planta ou em construção. PARA FAZER ESTE FINANCIAMENTO VOCÊ PRECISA: Ser brasileiro Ser estrangeiro com visto permanente Ser maior de 18 anos ou emancipado Ter capacidade civil Ter idoneidade cadastral (nome limpo) Ter capacidade de pagamento Não ter um imóvel onde mora Não ser comprador de um imóvel Não ter recebido desconto pelo FGTS Sua idade e o prazo de pagamento não podem passar 80 anos  Carta de Crédito SBPE Financiando a realização do seu sonho com recursos do SBPE(Sistema Brasileiro de Poupa